Encerrar ciclos com orgulho: reflexões sobre carreira, legado e propósito

Falar sobre o que fiz, não sobre o que gostaria de fazer.

Esses dias, eu estava assistindo a uma entrevista no YouTube quando o entrevistador fez uma pergunta muito interessante para a entrevistada:

“Imagine que hoje é o seu último dia de vida. Nas suas últimas horas, quais seriam as últimas palavras que você diria ao mundo, às pessoas que estão te assistindo?”

Ela começou a falar sobre as coisas que fez.
Disse que mudou a vida de muitas pessoas, escreveu livros, deixou contribuições importantes.

Aquilo me impressionou profundamente.

Confesso que eu esperava ouvir algo diferente — frases como viver mais, amar mais, experimentar mais. Aquelas respostas bonitas e quase padrão, que todos sabemos ser verdadeiras, mas que só parecem ganhar peso real quando estamos diante do fim.

Mas ela não falou sobre o que gostaria de ter feito.
Ela falou sobre o que fez.

Isso, para mim, é um sinal claro de realização.

Achei muito inspirador imaginar que, nas últimas horas da vida, alguém possa falar com orgulho sobre o que construiu — e não sobre sonhos adiados.

A verdade é que a morte nada mais é do que a última mudança de fase de uma sequência de transformações que vivemos ao longo da vida. Algumas dessas mudanças percebemos claramente; outras, não. O ideal — ainda que nem sempre possível — é ter consciência dessas transições e sentir-se realizado em cada etapa, reconhecendo que todas elas contribuem para o nosso crescimento como seres humanos.

Ainda assim, existem capítulos que são mais marcantes do que outros.

E por que tanta filosofia?

Porque hoje se encerrou um dos capítulos mais importantes da minha vida.

Hoje finalizei meu contrato com a empresa que, um dia, foi um grande sonho para mim. Ao me despedir dos colegas, ouvi muitos desejos de sucesso, agradecimentos, frases como “as portas estarão sempre abertas” ou “quando quiser voltar, é só avisar”. Tudo isso foi muito especial.

Mas houve uma frase, em particular, que me deixou profundamente feliz:

“Você deixou sua marca aqui. Sentiremos a sua falta.”

Naquele momento, me senti realizado.

Se um dia eu contar minha história dentro dessa empresa, falarei sobre as coisas que fiz — e não sobre as coisas que gostaria de ter feito. Tenho clareza de que, se tivesse permanecido por mais tempo, talvez no próximo ano eu estivesse falando muito mais sobre planos e vontades do que sobre realizações concretas.

Sair da empresa faz parte de um projeto maior. Um projeto de vida que eu e Hana estamos construindo juntos. Um projeto que, com certeza, transformará o nosso futuro e o futuro dos nossos filhos.

Confesso: a parte mais difícil desse caminho foi pedir demissão. Deixar para trás a estabilidade conhecida, sair de uma grande empresa, trocar a segurança externa por uma vida mais instável — mas também por algo muito mais profundo: a busca por uma estabilidade interna que, no fim das contas, é a mais sólida de todas.

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