Dessa vez o destino foi Prado, no sul da Bahia.
Fomos em mais uma viagem de família, para natal e ano novo.
Minha mãe depois de aposentada, realizou o sonho dela de ter um motorhome e desde então vamos com frequência ao CCB – camping clube do Brasil, e esse era nosso destino.
Eu já estava no Espírito Santo, esperando o Amin sair de férias e chegar até lá, para me encontrar. Saímos de Vila Velha de carro e viajamos por longas e infinitas horas até Prado.
Armamos acampamento no paraíso e dali em diante a hora passou a passar bem devagar, a brisa do mar, a maresia, as águas quentes da Bahia, aquele almoço gostoso do restaurante do camping, a cocada de sobremesa, a nega maluca no café da tarde e o acarajé do centro a noite, haja estômago e perseverança para perder os quilos ganhos.
Ali de Prado fomos para Cumuruxatiba, e todas as praias próximas.

Caraíva e Corumbau: 10 anos depois
Após o Natal, deixamos o motorhome e de carro fomos para Caraíva. Eu fui para Caraíva a primeira vez em 2015, um trabalho de campo com a faculdade, uma década se passou e encontrei uma Caraíva muito diferente, cheia de estrutura, abarrotada de gente e minha vontade era sair gritando “me tira daqui”.
No dia seguinte, fiz questão de fazer o passeio de buggy até Corumbau, queria muito mostrar aquele paraíso para minha mãe e Amin. O índio que antes fazia esse passeio, virou uma grande cooperativa, tudo agora era pago e adivinhe? Corumbau também cresceu, estava cheia de quiosques, não era mais um paraíso isolado no mundo. Mas segue linda!

Dali seguimos para Arraial d’ajuda e Porto Seguro, socorro alta temporada!

Mas ainda assim, que delícia viver na Bahia, seu calor que aquece a alma, seu povo contagiante. Amin com seu sotaque estrangeiro fazia amizade fácil, bastava ele dizer “crédito”, que alguém atrás do caixa dizia “moço você não é daqui”e a conversa ia longe, e olha que o Amin é de poucas palavras, bem poucas.
De volta a Prado, a paz daquele lugar, li uns 3 livros durante esses dias, incluso os clássicos – O Príncipe, e a Arte da Guerra, que tinha lido aos 16 anos, já estava na hora de ler outra vez e entender tudo diferente.

Confesso que com a chegada da virada do ano, a cidade foi ficando insalubre, mas o camping – apesar de cheio – seguia em paz.
Viajar pela Bahia, é a paz que todo mundo merece viver.
Diário de Campo: Sul da Bahia
Para quem busca mais do que inspiração e precisa de dados para a tomada de decisão, aqui está a análise técnica da nossa experiência.
A Base Estratégica: Prado (BA) Optamos pelo Camping Clube do Brasil. Perfil familiar, seguro e com infraestrutura ótima. Foi a antítese do barulho das pousadas no centro e o único local que permitiu o “slow travel” real. Ideal para quem precisa baixar a rotação.
Logística de Deslocamento A rota Vila Velha para Prado é longa e a condição da estrada exige atenção redobrada, não subestime o cansaço. Para os micro-deslocamentos dali para Caraíva ou Cumuruxatiba, a realidade é estrada de terra e dependência de balsas. O tempo de trânsito é sempre maior do que o GPS indica. Mas pegamos estradas com chuva, e seguem bem razoáveis, a atenção aqui é com bancos de areia que podem se formar e ocasionar “atolamento”
Análise de Cenário: Caraíva e Corumbau Houve uma gentrificação acelerada na última década. O serviço mudou: o passeio de buggy em Corumbau, por exemplo, agora é via cooperativa, eliminando a negociação direta com o condutor e tabelando preços para cima. A experiência de “vila de pescadores” foi substituída pelo volume do turismo de massa na semana do Réveillon. É vital ajustar a expectativa financeira e sensorial antes de ir.
Se busca paz e quietude evite altas temporadas, se procura contato com a comunidade local, me pareceu bem difícil encontrar por ali; mesmo há 10 anos atrás.
Na chegada irão te cobrar um valor para entrada – pague apenas se quiser.
Minha opinião como turismóloga: a associação que faz a cobrança e mantém o “luxo”no local, é formada basicamente por pessoas de fora, acho um trabalho necessário, mas questiono o repasse para comunidade local, e quantos locais acabaram sendo “expulsos” devido aos preços.
Conectividade e Trabalho Remoto Prado ofereceu o ambiente mais propício para foco e estabilidade de sinal. As vilas menores oscilam muito, o que inviabiliza rotinas que dependam de vídeo ou upload de arquivos pesados na alta temporada.
E você? Prefere a estrutura previsível dos destinos consolidados ou arriscar a logística pelo isolamento?