Aqui vale começar pela compra das passagens, low cost, com a jet smart – ai como vale a pena!
Nosso nervoso aqui, foi só com o processo de visto do Amin, que além de caro, demorou para sair, mas deu certo.
Embarcamos em Floripa, era Agosto, uma viagem em família para comemorar o aniversário da minha mãe, mas só encontramos com meus pais lá no Chile.
Viajamos com duas mochilas pequenas, com meia dúzia de roupas e muito espaço para os vinhos – temos o dom do minimalismo.
Quando pensamos em Chile, instantaneamente pensamos – NEVE, os parques de esqui, as roupas de neve…
Mas a verdade é que ninguém da família estava afim de ver neve, ainda mais tendo que pagar preços exorbitantes, para passeios ao maior estilo “maria tour” (excursionistas, viagens em grupo) – e já peço aqui perdão se isso pareceu minimamente preconceituoso, mas eu nasci fazendo excursões, principalmente para Aparecida do Norte, e foi na faculdade de turismo, que o termo “maria tour”apareceu – e como trabalhar com esse jeito de viajar era algo que norteavam nossos estudos, por isso utilizo dessa expressão, e também sim, não é o meu estilo de viagem.
O que queríamos de fato, eram as vinícolas – concha y toro: sempre aparece, é a que todos conhecem, eu queria mesmo algo diferente.
Para angústia da minha mãe desembarcamos com ideias, mas sem roteiros definidos. Eu sou do tipo que precisa chegar, sentir a cidade, o lugar e aí sim definir para onde vou.
Nos hospedamos na Providência, bairro clichê, com um entorno maravilhoso, perto de supermercados, restaurantes, bares, shoppings, comércio… Inclusive foi fácil encontrar opções veganas.
No dia seguinte despertamos e falamos, vamos para Pomaire – ou eu falei, não sei – pegamos metrô, descemos na estação próxima a estação de ônibus – me senti na Luz, em São Paulo e tínhamos um problema, dinheiro, fomos só com necessário e era preciso fazer câmbio ou sacar com o cartão da wise – não encontrávamos caixas eletrônicos em funcionamento. Percorremos toda a gigante estação e me deparo com ônibus para Pomaire, pagamos as passagens, sobraram alguns centavos e quando nos instalamos no confortável microonibus, dei por mim que estávamos sem dinheiro, iríamos descer na rodovia (ainda distante da cidade) e ninguém tinha dinheiro.
Enquanto todos dormiam na viagem, eu estava tensa – vou meter meus velhinhos em uma furada?!

O motorista avisou que era hora de descer, me indicou até onde caminhar e de lá eu poderia pegar uma van, ou um uber – salvos pelo uber, que tinha o cartão de crédito como pagamento. E não que chegamos na cidade, um vilarejo, de uma rua, que ao final dela tinha um caixa eletrônico e sacamos dinheiro, ufa!
Ao caminhar por aquela, tão pequena cidade, eu pensava – total de zero turistas estrangeiros – mas sim, muitos turistas locais. Paramos em um restaurante, ainda vazio, terminando de assar em forno de barro suas primeiras empanadas chilenas do dia, filmei todo o processo, tirei foto e todos muito simpáticos querendo saber de onde éramos e o que faziamos ali, até que chegou um casal e éramos só nós no restaurante – daqueles bem tradicionais, com chão de barro, mesas de madeiras, e cadeiras ao estilo van gogh – o casal devia ter 50+ e ele puxou conversa, de cara percebeu que não éramos chilenos, descobri que era feriado no país, e por isso Pomaire ia lotar.

Eu amo essa sensação de estar em contato com locais!
O vilarejo vive de seus restaurantes e do artesanato de barro, por toda a via é isso que vemos, e te garanto – bastante agradável, se você busca fugir do clichê, vale a pena.
Saímos de lá e fomos para uma vinícola próxima, que estava fechada – por conta do feriado, o que nos fez ficar bastante tempo para conseguir um uber, que nos deixasse até a estação de ônibus da cidade mais próxima, demorou, mas deu tudo certo.
Na manhã seguinte a missão foi – vamos alugar um carro e ficar independente, fomos em todas locadoras da região, e locamos um carro para manhã seguinte, no restante do dia fomos aos clichês de Santiago (miradores, sky costanera e tudo aquilo que você coloca, o que fazer em Santiago…) todos abarrotados de brasileiros, que me fazia sentir no Brasil, o que era bom e divertido.
Pegamos o carro e fomos em direção ao litoral, permeando toda a costa, passando por cidades inóspitas, vendo a vida distante da vida, almoçamos em um beira de estrada delicioso – ahh eu amo esse tipo de viagem. Paramos no Museu / casa de Neruda e seguimos até chegar nas dunas de Concon – que pôr do sol meus amigos!

Dali fomos para Valparaíso, a cidade colorida, entre ladeiras, artes e muitas cores, a casa de Neruda, a muvuca da cidade do litoral, a sensação de insegurança e em um dia comum, poucos turistas pelo caminho. Realmente vale a pena, mas sugiro sim um guia, pois vai facilitar a locomoção e as descobertas.
Na volta a Santiago, viemos percorrendo todas vinícolas, ai que experiência – Kingston, Casas del Bosque, Emiliana, Bodegas RE – cada uma com sua autenticidade, com vinhos únicos, que muitas vezes são exportados para outros continentes, cada degustação era uma magia, não tenho uma para dizer é a melhor, ou imperdível, todas são únicas!
Kingston, é luxuosa

Casas del Bosque, bem comercial, com restaurantes, festas de casamento, muitas ofertas e uma seleção chamada “pequeñas”- divina.
Emiliana, rótulos interessantes, vinhos orgânicos, uma plantação belíssima, um lugar agradavel.

Bodegas RE, intimista, pequena, com sabores indescritíveis (pelo meu perfil, talvez eu tenha gostado mais daqui).

Agora o que eu não faria, é o mercado central de Santiago, de fato como todos falam, um lugar “falido”, almoçamos, meu padrasto pediu a famosa Centolla e sentamos na Centolla – pedimos uma pequena, para 2 pessoas (só ele e meu marido comeriam) – quando veio a conta, mandaram a maior e mais cara centolla, me recusei a pagar a taxa de serviço, mas fui obrigada, eu meio a briga e discussão, sai me sentindo lesada, com uma experiência gastronômica péssima, estou falando de uma conta de dois mil reais. Ao menos rendeu fotos engraçadas.

Ainda nos hospedamos em outra parte de Santiago, um bairro bem residencial, muito diferentes dos turísticos, com cafés autênticos e uma cultura vibrante.
Aqui encerro, te encorajando a desbravar o diferente, rumo ao inusitado.